Desde que surgiu, Rüdimental coleciona #1s. A cantora é um sucesso em vendas de álbuns e nas paradas musicais, um bom exemplo recente é o single "Aberração", que manteve-se na primeira posição por 10 semanas não consecutivas. É claro que Rüdi sabe que domina o público, e aplica a pegada popular em suas músicas.
Violence, seu segundo álbum de estúdio, é repleto pela sonoridade trap, bastante em alta em 2019. "Tatuagens", "Nebulosa", "Recheada de Ilusões", "Pesadelo" e "Macho de Verdade Não Bate em Mulher" são ótimos para definir o norte conceitual que a artista deseja passar no disco, mas pouco influenciam sonoramente nele. Desta forma, sua composição acaba se destacando, como em "Reféns no Álcool", uma faixa que é difícil de ser ouvida por retratar a agressão doméstica, mas bastante necessária.
A delicada "Assassinato da Alegria" ("Estou vendo a vida passar pela janela do meu quarto") se destaca em meio as batidas trap. Uma das faixas mais impactantes do disco, o lead single "Aberração", entretanto, destoa totalmente do que o disco aborda. Nele, Rüdimental assume uma posição passivo-agressivo na situação, quando, na verdade, a mensagem que o disco passa é "sofrer agora para ser feliz depois".
Rüdi encerra seu segundo álbum com a faixa-título, a melhor canção da sua carreira e uma das mais autobiográficas que o Oddcast já ouviu. Ela finaliza seu registro de inéditas com um relato emocionante e preciso, enxuto, com composição linear e temporal.
Violence está longe de ser o magnum opus da cantora, mas tem toda a atitude e maturidade que faltava em Garota Suicida (Praia Iluminada, 2017), e evolui liricamente.

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