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FAKE POP WORLD REVIEW | Ariana Carper - Metáforas Insanas

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Confira as reviews exclusivas do segundo álbum de estúdio de Ariana Carper o enigmático Metáforas Insanas.



BRAGI
por David Know

Ariana Carper é uma grande revelação dos últimos dois anos, e em 2019, apresenta ao público seu segundo álbum intitulado Metáforas Insanas, um álbum que parece nos narrar uma mulher que perde sua sanidade, não durante a relação, mas após a ida ao manicômio. Somos abertos com Devaneio Mental, somos apresentados a nossa personagem, que é assim “peculiar”, desde sua infância, e após conhecer seu marido, acaba se “adaptando” aos gostos de seu conje, esquecendo-se de sua individualidade, a cantora narra a nós: “minha mente está uma bagunça/mas eu sei que isso não te interessa/o importante é estar apresentável”, a artista aqui nos narra com clareza a ideia do que a Simone de Beauvoir nos diria na frase “A mulher necessita tanto do homem, quanto o peixe precisa da bicicleta”, discutindo o que seria o papel da mulher, e pode ser até comparado com o período da história das quais mulheres com opinião própria eram internadas. Carper nos encanta, não com a mesma doçura, mas com a amargura de uma mulher que sofreu, mudou e se transformou. É incrível, é triste, é dramático, e assim como o final de “Doce Demais” nos faz abordar uma série de coisas.

Nota - 89

HARVARD DE PARIS MUSIC
por Maicow Reveley

Se antes tudo parecia Doce Demais, agora, no manicômio, Ariana Carper sente falta de glicose. Ao lançar o polêmico lead-single “Queremos Perfeição”, Ariana já deixou claro que estaríamos presenciando a sua maior evolução como artista desde então. O visual delicado e inocente da menina que vestia grandes laços no cabelo e saias rodadas é abandonado em prol de uma maquiagem pesada, uma choker vitoriana que envolve o seu pescoço e uma camisa de força que contém os seus braços. Construindo uma narrativa linear enlouquecente em torno de suas 15 faixas, Ariana Carper nos conta um pouco sobre o preço que paga por estar constantemente em busca da perfeição em suas “Metáforas Insanas”.
Ariana utilizou de uma estratégia não muito explorada anteriormente no Oddcast ao dividir o lançamento do seu álbum em duas metades. Dessa forma, ela conseguiu fazer com que as 15 faixas do material não soassem tão cansativas ao ouvinte. Em uma mistura coesa de R&B, Pop e Electro-pop, conhecemos o universo da garota que foi internada contra a sua vontade em “Devaneio Mental”, a faixa que abre o álbum. Ao decorrer da narrativa, somos colocados como espectadores que assistem o decair do livre-arbítrio de Ariana em meio aos gritos desvairados de “Pare de gritar!” “Chega de perturbação!” “Aaah!” que estão sobrepostos em “Atestado de Lucidez”, uma faixa pop batidas trap mescladas a uma guitarra grunge reverberada. Essa linearidade continua em “Medo de Pensar”, onde com a ajuda de remédios, a artista tem o seu pensamento controlado e alienado pelo sistema, se encaixando nos padrões de perfeição que a sociedade espera.
Com risadas descontroladas que parecem estar entrando em nossa cabeça, o segundo single “No País das Maravilhas”, com a participação do rei do pornopop Maicow Reveley, é um tiro pop certeiro. Com uma letra cativante e chiclete sob uma instrumental electro-pop, Ariana e Maicow apresentam uma química interessante como loucos colegas de manicômio e cantam sobre o mundo que criaram para fugirem dos limites impostos pela realidade. Em seguida, “Segredo” é uma faixa pop divertida que possui sussurros e flerta com um quê circense. Chegamos ao polêmico carro-chefe “Queremos Perfeição”, que parece não ter agradado muito em seu lançamento devido ao uso de uma instrumental conhecida (Britney Spears – My Prerogative). Nessa faixa, Ariana procura criar o ser humano perfeito: que segue um padrão e não tem opinião. Graças a seu videoclipe interessante, Ariana felizmente conseguiu nos introduzir ao universo do álbum pela primeira vez, mas a faixa acaba não se destacando muito.
Substituindo as risadas descontroladas por gemidos e sussurros, “Fome” é um dos pontos altos do álbum. Uma faixa pop com leves influências trap que implora para ser o próximo single. “Camisa de Força” e “Bailarina” são faixas em que Ariana brinca com as suas metáforas insanas e usa de figuras para descrever histórias de amor e sofrimento. “Transtorno Mental” é uma faixa mais experimental com diversos vocais lentos que acompanham uma guitarra distorcida. A hora está passando e “Tic Tac”, apesar de ser a décima primeira faixa, ainda se mostra forte depois de já termos ouvido boa parte da narrativa de Ariana Carper. Com referências a religiões afro-brasileiras, muitos whistle register e a participação da ex-cantora e atual vendedora de maquiagem Zahara Luzon, “Toque de Recolher” é uma das melhores faixas do álbum. “Chegou a hora de acordar dessas Metáforas Insanas”, falam Ariana e Zahara nessa radiofônica parceria, alertando que o fim da narrativa já está próximo. Em “Identidade”, uma faixa house não-convencional, Ariana relembra de suas origens ao som de gotas de água que pingam ao fundo da faixa. Encerrando o álbum, “Labirinto” e “Controle” mostram uma quebra interessante e arriscada na sonoridade, sendo faixas mais puxadas para o dancepop, mas que, de alguma forma, funcionam. O álbum é finalizado com um minuto de gritos desesperados e efeitos sonoros arrepiantes que fazem do fim da história um enigma. Teria Ariana conseguido escapar do controle do manicômio?
O conceito sombrio não foi um obstáculo para que Ariana pudesse nos entregar composições pop interessantes em meio a toda complexidade de suas “Metáforas Insanas”. Ariana brinca com elementos reais nas faixas, como gritos, choros, o som de uma caixinha de bailarina, gotas de água que pingam incessantemente ou o tic tac de um relógio que marca o passar do tempo, o que torna a história e a produção das faixas criativas e cativantes. Apesar de algumas faixas estarem fora da BPM (batida por minuto) entre os vocais e a instrumental, Ariana parece estar cada vez mais no controle da produção e masterização das faixas e dos efeitos vocais, que soam vivos e tornam a narrativa dinâmica e prazerosa de se ouvir. A cantora brinca muito com vocais sobrepostos e reverberados, para dar um toque de loucura e afastamento da realidade. Contudo, em algumas faixas o eco soa um pouco alto demais, deixando as músicas um pouco poluídas, mas nada que atrapalhe gravemente o resultado final. Com esse material, Ariana Carper não precisa mais lutar por um lugar ao sol dentro do Oddcast, mas ainda temos muito a ver de sua artista e esperamos uma evolução cada vez mais constante, como a apresentada nesta obra.

Nota: 81


LUSHO CRITICS
por Raquelusho

Consagrando seu lugar como uma artista criativa e com diferencial, Metáforas Insanas, de Ariana Carper, traz uma obra de conceito cinematográfico, que transcende um simples álbum e se torna uma jornada de fantasia, com influências literárias e narrativa consistente, sem se perder ou prolongar a história de uma garota esquizofrênica que aprende a lidar com a mente fantástica em que está aprisionada. Entretanto, as canções pop/trap são, por vezes, genéricas, e se tornam um aspecto negativo do álbum: se não fosse pelo conceito bem estruturado e a história que compõe o disco, como os dois videos impecáveis dos singles 'Queremos Perfeição' e 'No País das Maravilhas', este último com a participação de Maicow Reveley, as faixas talvez passariam batidas.

Nota - 77

O que achou do Metáforas Insanas? Escute o álbum agora mesmo.


A nota final se da pela média de todas as reviews. 

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