Infame é iniciado de forma inusitada com a intro co-composta
e produzida por Sara, "Matéria-prima da Maldade", com graves profundos
capazes de quebrar vidro e participação vocal de Victoria Dyer, que concedeu duas instrumentais autorais à Inui. A pequena faixa
é o início de uma série de sons levemente grosseiros, e proclama: "Um novo
Deus surge / Inui".
A faixa seguinte, "Hell(o)", inicia uma sequência
de canções que evidencia aos ouvintes uma transição de persona da artista entre
um álbum e outro, amplamente discutido em "Codex Gigas" ("Eles dizem
que não me reconhecem") e "Olhe Para Mim" ("Veja quem eu
sou / Eu nunca sou só eu"). Fórmula essencial para provar quão Inui se
afastou do tema sonoro e lírico de seu primeiro álbum, e embarca em um lado
mais oculto, intimidador.
"Tears" traz uma ansiedade sincera sobre um baixo
mais agitado, do tipo que pode destruir alguns pares de fones de ouvido. A voz de
Inui atravessa a batida narcoléptica e desliza em desespero total,
choramingando suas falas mais autoconscientes: "Eu olho para trás / E vejo
uma garota / Eu olho para mim / E somos a mesma pessoa / Mas que num mundo
pequeno / Porém tão grandioso / Quem diria que eu veria / Tanta tristeza em um
só rosto".
Um espírito semelhante impulsiona "Lucid
Dreaming", inspirado pelos frequentes terrores noturnos e sonhos lúcidos
de Inui. Em "Roslyn", temática lírica semelhante, apesar da distorção
do estilo vocoder produzida por Tammi, a voz de Inui parece ainda mais íntima.
O envolvimento da artista com Venus James, em "Lucid Dreaming",
"Codex Gigas", "Tears" e "A Ordem", conhecida por
suas produções pop alternativas, só elevam a excentricidade assustadora de Inui
neste álbum, que manipula compulsões sombrias com elogios sinistros,
equilibrando seus vocais com graves profundos. Inui tece algo que é ao mesmo
tempo delicado e grotesco, como em "Dark Desire" com seu controle
criativo autônomo, observações sociais com pálpebras pesadas e aura alegremente
gótica: "Esse é meu pecado / Querer mais do que fora me dado".
Ainda assim, todo o armamento de Inui não pode impedir que
sua faixa mais pop no álbum, "Malícia", fique obsoleta. Um impulso mal-humorado
lança Inui em uma ladainha de insultos contra algumas inimizades. A faixa faz
jus ao título do álbum, onde Inui é mais vil e baixa do que em qualquer outro
momento do disco. Sobre batidas house, ela diz que "Você tem o seu veneno
/ Eu tenho malícia" e descreve a si mesma como "M de medíocre / I de
inigualável / Esta sou eu / A má influência do bairro".
Infame vive sob seus próprios termos: gótico, com batidas
pesadas, curvas ousadas e muito bonito.

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